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Zosima
quinta-feira, junho 03, 2004
 
Silêncio.

Assim permanecemos por muito tempo, estáticos. A realidade que se apresentava diante de nossos olhos era incompreensível, simplesmente ultrapassava nossa limitada sapiência. Mas agora tive uma vaga idéia do que acontece conosco. Alguns espíritos não assimilam de boa fé seus destinos tortos, arrumam atalhos e voltam para resolver as questões que deixaram para trás.

São como os advogados, conhecem as brechas nas leis. As vezes vagam soltos por mero prazer de sentirem-se como vivos. Sinto uma extrema nostalgia no espírito desse Virgulino Oliveira... ele não parece pertencer a esse mundo nosso, parece obter prazer extremo só por vagar de noite na redação de um jornal. Imaginem vocês... investigando um caso? Que policial faz isso? Acho que ele está apenas visitando antigos fantasmas. Tudo muito confuso....

Zósima o velho que nada sabe
terça-feira, março 23, 2004
 
Desculpem-me se me repito, é que tudo flui tão rapidamente comigo que preciso ordenar as idéias, falar enfim. Sonhei com uma pessoa totalmente nova, nunca antes vista. Este homem chegava numa sala cheia de relíquias e nada ali despertava sua paixão. Queria apenas justificar-se perante a imagem da Virgem Maria, explicar que continuava devoto apesar dos fuxicos humanos.

Conta-se, que no seio da floresta amazônica este homem encontrou-se com a Santa Maria Mãe de Deus, que lhe dotou de um poder secreto, uma arma que, usada corretamente, poderia conferir o poder de um homem trafegar no astral, de curar-se e outros mais. Se usada de maneira errônea, corriqueira, displiscente ou leviana, estaria esse homem traindo a Virgem Mãe.

Digo-lhes. Sonhei com este homem e ele chegará.

Zósima (Nome retirado do livro Irmãos Karamazov de Dostoiévsky)
Não o Stárets, Apenas um descendente


terça-feira, março 16, 2004
 
Que tal acordar sempre num de ja vu? Que tal soa isso? Hein? A Qual castigo assemelha-se? Procurem saber, entre todos os castigos humanos, sejam os praticados nas câmaras de tortura medievais ou mesmo os piores castigos morais, nenhum carrega tanta dor quanto o meu.

Tudo comigo acontece duas vezes. Na primeira, tudo é névoa, há apenas a espinha dorsal de todo o enredo. O resumo da ópera entendem? Cercado de quimeras tolas e cenários substutíveis...Durante a noite durmo bem, penetro de fato no sonho e meu corpo se recupera inerte. No dia seguinte vem a angústia. Ela começa quando eu abro o olho e percebo que o sonho era ele mesmo e não a realidade.

Levanto sobressaltado e ando durante horas em minha casa tentando encaixar meu sonho em alguma das realidades que eu conheço, nas vidas das pessoas próximas. fervo minha cabeça e nada parece combinar. A ansiedade me emburrece profundamente, o meu pensamento torna-se fugaz, irritadiço e vicioso. Tento esquecer e procuro relaxar. Rezo.

Quando esqueço o assunto por míseros cinco minutos, ele me volta à mente de maneira natural e límpida. Nossa! Matei a charada! Agora é que vem a parte quase sempre triste, cansativa e frustrante do processo todo. Saio correndo para impedir que algo aconteça ou para avisar alguém sobre as intenções de um inimigo ou coisa que o valha, e quando chego a tempo, ninguém acredita muito no que digo, as pessoas me têm por criador de discórdia e confusão. Também pudera, você acreditaria num velho esbaforido que vem contando coisas sem nexo, muitas delas envolvendo entes queridos?

O que importa é que essa noite sonhei com uma cobra que muito sissibilava. O contexto no qual ela encontrava-se não vem ao caso. Agora entendo que o que importava mesmo no sonho era ela, a cobra que passou a noite toda me atormentando, a ponto de eu ter um sono pouco restaurador. -sssssssssss, ssssssssssss, sssssssssss, SSSSSSSSSSSSSSSS, SSSSilvia! Matei a charada, essa mulher é uma cobra caninana, uma víbora, uma naja! Sei agora sua índole e sei que está tramando infamemente contra alguém, mas quem será?

Não sei exatamento o porquê de fazer todas essas confissões aqui, quanto mais falo delas, mais sofro e me atormento por coisas que nem sei ao certo a quem dizem respeito. Deixem-me agora com meu pesado fardo, não posso compartilhá-lo com vocês.
sábado, março 13, 2004
 
Saibam que sou sozinho, ou melhor, um louco deu para andar atrás de mim agora. Eu o estava esperando, tinha já sonhado com sua vinda. Preciso destratá-lo para que a verdade cresça dentro de sua alma. Ele sabe um segredo. Sua participação no mundo é decisiva, Um louco e um gênio estão sempre perdidos no mesmo mar. A diferença é que o primeiro se afoga ao passo que o segundo nada com desenvoltura. Um curinga no jogo de baralho, sua crueza e falta de traquejo social serão perdoados por Deus. cabe a ele descobrir-se para que passe a desmascarar as falcatruas. Sua vinda estava anunciada!
 
Meu nome é Zósima. Sou paulistano de origem russa. Vim de uma tradição antiga nos mosteiros da Rússia os Stártsi. (plural de Stárets). Meu ancestrais eram monges iluminados e santos que faziam milagres e prediziam os eventos de maneira assustadoramente precisa. Muitos monges entregavam aos Stártsi sua vontade própria, fazendo tudo o que seu Stárets ordenasse. Dessa forma procuravam alcançar a liberdade verdadeira, matando seu orgulho e sua vaidade e dominando sua vontade.

A mim só restou um dom incômodo, que me desajustou na vida inteira. Se hoje sou uma pessoa sozinha, isso se deve ao meu dom de sonhar o futuro e a verdade sobre fatos do passado. Dizem que sou bruxo, feiticeiro. Antes o fosse.

Nesse momento uma aflição me corrói a alma. um crime será cometido, eu sonhei. Ninguém morrerá exceto o renome e a honra de alguém. Meu Deus! Como isso é injusto e infame!

Mas eu já sabia disso! Uma trama ardilosa para sujar de lama a reputação de um homem bom e ingênuo. Gente poderosa sem escrúpulos para alcançar vantagens e cargos.

Como é cruel o dom da previsão! Sofro por esse bom homem sem poder ajudá-lo, preferia estar morto!


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