Zosima
terça-feira, março 23, 2004
Desculpem-me se me repito, é que tudo flui tão rapidamente comigo que preciso ordenar as idéias, falar enfim. Sonhei com uma pessoa totalmente nova, nunca antes vista. Este homem chegava numa sala cheia de relíquias e nada ali despertava sua paixão. Queria apenas justificar-se perante a imagem da Virgem Maria, explicar que continuava devoto apesar dos fuxicos humanos.
Conta-se, que no seio da floresta amazônica este homem encontrou-se com a Santa Maria Mãe de Deus, que lhe dotou de um poder secreto, uma arma que, usada corretamente, poderia conferir o poder de um homem trafegar no astral, de curar-se e outros mais. Se usada de maneira errônea, corriqueira, displiscente ou leviana, estaria esse homem traindo a Virgem Mãe.
Digo-lhes. Sonhei com este homem e ele chegará.
Zósima (Nome retirado do livro Irmãos Karamazov de Dostoiévsky)
Não o Stárets, Apenas um descendente
terça-feira, março 16, 2004
Que tal acordar sempre num de ja vu? Que tal soa isso? Hein? A Qual castigo assemelha-se? Procurem saber, entre todos os castigos humanos, sejam os praticados nas câmaras de tortura medievais ou mesmo os piores castigos morais, nenhum carrega tanta dor quanto o meu.
Tudo comigo acontece duas vezes. Na primeira, tudo é névoa, há apenas a espinha dorsal de todo o enredo. O resumo da ópera entendem? Cercado de quimeras tolas e cenários substutíveis...Durante a noite durmo bem, penetro de fato no sonho e meu corpo se recupera inerte. No dia seguinte vem a angústia. Ela começa quando eu abro o olho e percebo que o sonho era ele mesmo e não a realidade.
Levanto sobressaltado e ando durante horas em minha casa tentando encaixar meu sonho em alguma das realidades que eu conheço, nas vidas das pessoas próximas. fervo minha cabeça e nada parece combinar. A ansiedade me emburrece profundamente, o meu pensamento torna-se fugaz, irritadiço e vicioso. Tento esquecer e procuro relaxar. Rezo.
Quando esqueço o assunto por míseros cinco minutos, ele me volta à mente de maneira natural e límpida. Nossa! Matei a charada! Agora é que vem a parte quase sempre triste, cansativa e frustrante do processo todo. Saio correndo para impedir que algo aconteça ou para avisar alguém sobre as intenções de um inimigo ou coisa que o valha, e quando chego a tempo, ninguém acredita muito no que digo, as pessoas me têm por criador de discórdia e confusão. Também pudera, você acreditaria num velho esbaforido que vem contando coisas sem nexo, muitas delas envolvendo entes queridos?
O que importa é que essa noite sonhei com uma cobra que muito sissibilava. O contexto no qual ela encontrava-se não vem ao caso. Agora entendo que o que importava mesmo no sonho era ela, a cobra que passou a noite toda me atormentando, a ponto de eu ter um sono pouco restaurador. -sssssssssss, ssssssssssss, sssssssssss, SSSSSSSSSSSSSSSS, SSSSilvia! Matei a charada, essa mulher é uma cobra caninana, uma víbora, uma naja! Sei agora sua índole e sei que está tramando infamemente contra alguém, mas quem será?
Não sei exatamento o porquê de fazer todas essas confissões aqui, quanto mais falo delas, mais sofro e me atormento por coisas que nem sei ao certo a quem dizem respeito. Deixem-me agora com meu pesado fardo, não posso compartilhá-lo com vocês.
sábado, março 13, 2004
Saibam que sou sozinho, ou melhor, um louco deu para andar atrás de mim agora. Eu o estava esperando, tinha já sonhado com sua vinda. Preciso destratá-lo para que a verdade cresça dentro de sua alma. Ele sabe um segredo. Sua participação no mundo é decisiva, Um louco e um gênio estão sempre perdidos no mesmo mar. A diferença é que o primeiro se afoga ao passo que o segundo nada com desenvoltura. Um curinga no jogo de baralho, sua crueza e falta de traquejo social serão perdoados por Deus. cabe a ele descobrir-se para que passe a desmascarar as falcatruas. Sua vinda estava anunciada!
Meu nome é Zósima. Sou paulistano de origem russa. Vim de uma tradição antiga nos mosteiros da Rússia os Stártsi. (plural de Stárets). Meu ancestrais eram monges iluminados e santos que faziam milagres e prediziam os eventos de maneira assustadoramente precisa. Muitos monges entregavam aos Stártsi sua vontade própria, fazendo tudo o que seu Stárets ordenasse. Dessa forma procuravam alcançar a liberdade verdadeira, matando seu orgulho e sua vaidade e dominando sua vontade.
A mim só restou um dom incômodo, que me desajustou na vida inteira. Se hoje sou uma pessoa sozinha, isso se deve ao meu dom de sonhar o futuro e a verdade sobre fatos do passado. Dizem que sou bruxo, feiticeiro. Antes o fosse.
Nesse momento uma aflição me corrói a alma. um crime será cometido, eu sonhei. Ninguém morrerá exceto o renome e a honra de alguém. Meu Deus! Como isso é injusto e infame!
Mas eu já sabia disso! Uma trama ardilosa para sujar de lama a reputação de um homem bom e ingênuo. Gente poderosa sem escrúpulos para alcançar vantagens e cargos.
Como é cruel o dom da previsão! Sofro por esse bom homem sem poder ajudá-lo, preferia estar morto!
